quinta-feira, 3 de março de 2011

Texto Narrativo

Sobre o texto narrativo

Aqui vão alguns lembretes
para você escrever seu texto narrativo com proficiência:
NARRAÇÃO

Narrar é falar sobre os fatos. É contar. Consiste na elaboração de um texto inserindo episódios, acontecimentos.
A narração difere da descrição. A primeira é totalmente dinâmica, enquanto a segunda é estática e sem movimento. Os verbos são predominantes num texto narrativo.
O indispensável da ficção é a narrativa, respondendo os seus elementos a uma série de perguntas:
Quem participa nos acontecimentos? (personagens);
O que acontece? (enredo);
Onde e como acontece? (ambiente e situação dos fatos).

Fazemos um texto narrativo com base em alguns elementos:
O quê? Fato narrado;
Quem? Personagem principal e o anti-herói;
Como? O modo que os fatos aconteceram;
Quando? O tempo dos acontecimentos;
Onde? Local onde se desenrolou o acontecimento;
Por quê? A razão, motivo do fato;
Por isso: A conseqüência dos fatos.

No texto narrativo, o fato é o ponto central da ação, sendo o verbo o elemento principal. É importante só uma ação centralizadora para envolver as personagens. Deve haver um centro de conflito, um núcleo do enredo.

A seguir um exemplo de texto narrativo:
Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava num alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal.
(Um certo capitão Rodrigo – Érico Veríssimo)

A relação verbal emissor – receptor efetiva-se por intermédio do que chamamos discurso. A narrativa se vale de tal recurso, efetivando o ponto de vista ou foco narrativo.
Quando o narrador participa dos acontecimentos diz-se que é narrador-personagem. Isto constitui o foco narrativo da 1ª pessoa.

Exemplo:
Parei para conversar com o meu compadre que há muito não falava. Eu notei uma tristeza no seu olhar e perguntei:
- Compadre por que tanta tristeza?
Ele me respondeu:
- Compadre minha senhora morreu há pouco tempo. Por isso, estou tão triste.
Há tanto tempo sem nos falarmos e justamente num momento tão triste nos encontramos. Terá sido o destino?

Já o narrador-observador é aquele que serve de intermediário entre o fato e o leitor. É o foco narrativo de 3ª pessoa.

Exemplo:
O jogo estava empatado e os torcedores pulavam e torciam sem parar. Os minutos finais eram decisivos, ambos precisavam da vitória, quando de repente o juiz apitou uma penalidade máxima.
O técnico chamou Neco para bater o pênalti, já que ele era considerado o melhor batedor do time.
Neco dirigiu-se até a marca do pênalti e bateu com grande perfeição. O goleiro não teve chance. O estádio quase veio abaixo de tanta alegria da torcida.
Aos quarenta e sete minutos do segundo tempo o juiz finalmente apontou para o centro do campo e encerrou a partida.

FORMAS DE DISCURSO
Discurso direto;
Discurso indireto;
Discurso indireto livre.

DISCURSO DIRETO

É aquele que reproduz exatamente o que escutou ou leu de outra pessoa.
Podemos enumerar algumas características do discurso direto:
- Emprego de verbos do tipo: afirmar, negar, perguntar, responder, entre outros;
- Usam-se os seguintes sinais de pontuação: dois-pontos, travessão e vírgula.

Exemplo:
O juiz disse:
- O réu é inocente.

DISCURSO INDIRETO

É aquele reproduzido pelo narrador com suas próprias palavras, aquilo que escutou ou leu de outra pessoa.
No discurso indireto eliminamos os sinais de pontuação e usamos conjunções: que, se, como, etc.

Exemplo:
O juiz disse que o réu era inocente.
DISCURSO INDIRETO LIVRE

É aquele em que o narrador reconstitui o que ouviu ou leu por conta própria, servindo-se de orações absolutas ou coordenadas sindéticas e assindéticas.

Exemplo:
Sinhá Vitória falou assim, mas Fabiano franziu a testa, achando a frase extravagante. Aves matarem bois e cavalos, que lembrança! Olhou a mulher, desconfiado, julgou que ela estivesse tresvariando”.
(Graciliano Ramos).
Nos links abaixo você encontra mais informações sobre o texto narrativo!

quarta-feira, 2 de março de 2011

TEXTO SELECIONADO NA ETAPA MUNICIPAL DA OLIMPIADA DE LÍNGUA PORTUGUESA

 MEMÓRIAS LITERÁRIAS

Um passado que não volta mais

Nasci e cresci nessa cidade, e há 77 anos vivo feliz e calmamente, sou o Anísio Marin, e com esse nome simples, conquistei a vida depois da luta. As coisas pouco mudaram em Pitangueiras, mas com o tempo ela cresceu. O trem por aonde eu ia a outros lugares parou de me levar, passou a levar carga.
Lembrança, quantas me vêm à cabeça, a mais marcante foi a perca da minha mulher. Percas são tão difíceis de superar, por que será? Bom, lagrimas me vem aos olhos, nossa convivência era tão boa. Já viajamos juntos pelos trens que aqui passavam.  Os meus 41 anos de casados foram os melhores e os mais bem vividos anos de minha vida. Essa cidade era pequena de tamanho, mas era rica em comércio, era uma cidade movimentada, sempre com pessoal de fora vinha para conhecer.
Minha infância foi boa por aqui, eu e meus amigos sempre íamos nos divertir, era brincadeira na rua, futebol e cinema. Hoje em dia, temos que sair da cidade para ir ao cinema. Os melhores filmes eram no domingo. Íamos à fábrica de refrigerante para consegui-los de graça com o seu Ângelo. E enquanto tomávamos cantávamos a música de Pitangueiras. Chamava-se O Feiticeiro, era de Palmeira e Biá.
As crianças de hoje não dão valor para o que tem hoje você escolhe a escola, mas antes não tinha como, era uma só, ou era ela ou não estudava.
Hoje vivo calmamente em minha oficina, conversando com os amigos, esperando o tempo levar as minhas lembranças e com ela a dor de um passado que não volta mais.





                                                      VICTÓRIA 7ª A

Processo de Leitura

Ler é um processo de reconstrução dos sentidos do texto, no interior do repertório de significados e sentidos constituídos por cada sujeito, considerando-se as características do contexto de produção que determinou o texto que se lê.